Reabilitação visual para crianças e jovens 

Grupo de adolescentes felizes frente ao prédio da escola.

Estratégias e importância

A reabilitação visual é um  conjunto de estratégias e intervenções essenciais para crianças e jovens com deficiência visual parcial ou total, seja por condições congênitas, doenças retinianas ou lesões oculares adquiridas. Seu objetivo é maximizar o uso da visão residual, desenvolver habilidades adaptativas e promover independência na vida diária, escolar e social, especialmente para indivíduos que não podem ser completamente tratados por intervenções médicas, cirúrgicas ou ópticas convencionais.

Como a plasticidade cerebral é maior na infância e adolescência, a intervenção precoce é essencial para melhorar a qualidade de vida e o desenvolvimento cognitivo e motor de crianças e jovens. O objetivo é melhorar a qualidade de vida desses indivíduos a partir de recursos da reabilitação visual, os quais são diversos, dadas as particularidades de cada paciente, que está em constante transformação, com necessidades diferentes ao longo de seu crescimento. 

Este texto aborda as questões que envolvem o processo de reabilitação visual em crianças e jovens com perda de visão parcial ou total.

Quando a reabilitação visual é necessária?

A reabilitação visual é indicada para condições como:

  • Baixa visão causada por retinopatia da prematuridade, albinismo ocular, glaucoma congênito; 
  • Doenças degenerativas  como retinose pigmentar ou atrofia óptica; 
  • Sequela de traumas ou infecções oculares; 
  • Erros refrativos graves não corrigíveis com óculos convencionais.

Quais são as estratégias de reabilitação visual 

1. Auxílios Ópticos e Tecnológicos 

  • Lupas e telescópios para ampliação de textos e objetos. 
  • Óculos especiais com filtros para sensibilidade à luz (em casos como albinismo). 
  • Tablets e softwares com contraste aumentado, leitores de tela e ampliação digital (Ex.: ZoomText, VoiceOver).
Menina albina, sorridente, usando óculos de proteção solar - um dos recursos da reabilitação visual.

2. Treinamento de Habilidades Visuais 

  • Estimulação precoce para bebês com baixa visão, usando cores vibrantes e luzes para desenvolver o foco. 
  • Exercícios de rastreamento visual (seguir objetos em movimento) para melhorar a coordenação olho-mão.
  • Técnicas de escaneamento (aprender a mover os olhos sistematicamente) para compensar a perda de visão periférica.

3. Adaptações Educacionais 

  • Material didático ampliado (livros com fontes grandes, cadernos com pautas destacadas). 
  • Sala de aula adaptada (iluminação adequada, posição privilegiada perto da lousa). 
  • Braille e tecnologias assistivas para casos de visão muito reduzida.

4. Orientação e Mobilidade 

  • Uso de bengalas para crianças com perda severa de visão.
  • Treino de deslocamento seguro em ambientes conhecidos e desconhecidos.
  • Aplicativos de GPS adaptados (como Soundscape da Microsoft) para navegação autônoma.

5. Apoio Psicológico e Social 

  • Grupos de apoio para compartilhar experiências e reduzir o isolamento. 
  • Terapia ocupacional para incentivar a autonomia em atividades cotidianas (vestir-se, comer). 
  • Conscientização escolar para prevenir bullying e promover inclusão.

O papel da família e da escola  

De  acordo com  portaria publicada pelo Ministério da Saúde  em 2008, ainda que  o oftalmologista seja o médico responsável pelo atendimento da criança ou jovem com baixa visão, em um serviço de reabilitação visual faz-se necessário contar com uma equipe multidisciplinar para que todos os aspectos do paciente sejam abordados. 

Essa equipe multidisciplinar deve ser composta por profissionais capacitados na área de psicologia, assistência social, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, profissionais da área de mobilidade e do ensino, como psicopedagogos e pedagogos. Sem esquecer da ajuda fundamental da família nesse conjunto todo.

Particularmente, cada segmento tem uma função nesse processo de reabilitação: 

  • Pais e cuidadores devem estimular a criança a usar a visão residual sem substituir suas tentativas, como por exemplo, deixar que ela pegue objetos sozinha;
  • Professores precisam receber capacitação para adaptar metodologias que possam ser ferramentas de aprendizagem. Exemplo disso é usar descrições verbais em aulas com imagens;
  • Colaboração multidisciplinar entre oftalmologistas, terapeutas visuais e pedagogos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias que facilitem a participação dessas crianças e jovens nas atividades do dia a dia, seja no meio familiar ou na escola.
Jovem cega caminhando por um trajeto de paralelepípedos em formato de caracol, num parque, com o auxílio de uma bengala - outro recurso de reabilitação visual.

A reabilitação visual para crianças e jovens não restaura a visão perdida, mas abre portas para um mundo de possibilidades. Com intervenção precoce, ferramentas adaptadas e apoio emocional, é possível transformar limitações em conquistas, permitindo que esses indivíduos aprendam, brinquem e cresçam com confiança. Investir nesse processo é investir no futuro de uma geração que, mesmo com desafios visuais, pode enxergar um caminho cheio de oportunidades. 

Conheça os meus serviços   

Olá para você que é novo por aqui! Eu sou a Dra. Paula Gabriela e me formei na ULBRA. Minha especialidade é a saúde ocular pediátrica e adulta. Aqui na minha página, passamos informações úteis e de qualidade, como cuidados, dicas e explicações mais aprofundadas sobre patologias. Meu objetivo é deixar você mais informado(a) e atento(a) para os cuidados com a sua visão e a do seu filho (a). 

Se estiver precisando marcar uma consulta oftalmológica, não deixe de entrar em contato comigo por aqui. Vamos conversar para tirar todas as suas dúvidas e fazer uma avaliação completa da sua visão, ou a do seu filho.

Clinica Olhar Kids

Rua Furriel Luíz Antônio de Vargas, 250 – conj 1201 – Bela Vista 

Porto Alegre – RS, 90470-130


Categorias

Compartilhe nossa notícia nas suas redes sociais

WhatsApp
Facebook
Email
LinkedIn
Twitter