A chegada da primavera gera otimismo e disposição para as pessoas, especialmente para as crianças. As temperaturas estão mais agradáveis; os dias começam a ficar mais longos, e as noites mais curtas. No entanto, ela também é a estação em que as doenças alérgicas mais se manifestam devido à, entre outros fatores, polinização.
As queixas são frequentes nesta época do ano. Muitas vezes, manifestam-se em pacientes que têm outras condições como rinite, tosse alérgica, asma e dermatites. E, sem dúvidas, os olhos costumam ser um dos órgãos mais afetados pelas alergias.
Este artigo vai explorar especialmente as conjuntivites que costumam atingir tanto adultos quanto pequenos, suas formas de tratamento e prevenção.
Por que as conjuntivites alérgicas são recorrentes na primavera?
Na primavera, em razão de fatores ambientais desencadeantes como poeira, pólen e ácaros presentes no ar, as alergias são recorrentes. Entre os principais sintomas podem ser citados coceira, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, fotofobia (sensibilidade à luz) e edema palpebral.

É comum que, nessa estação, as crianças estejam mais suscetíveis às doenças alérgicas, especialmente as que têm histórico de alergias. Adultos alérgicos também apresentam maior suscetibilidade nos olhos.
Quais são as alergias oculares mais comuns na primavera?
Entre os vários tipos de alergias oculares desencadeadas na primavera estão a conjuntivite alérgica, conjuntivite alérgica perene, ceratoconjuntivite vernal, conjuntivite infecciosa.
- Conjuntivite alérgica sazonal (conjuntivite da febre do feno) : esta é a forma mais comum de alergia ocular que afeta mais de 20% das pessoas em determinadas épocas do ano, principalmente primavera. Ela é uma reação do revestimento externo do globo ocular (conjuntiva) a elementos do ambiente aos quais a pessoa é alérgica – os alérgenos como poeira, pólen, pelos de animais e, às vezes, até medicamentos. Alguns pequenos podem ter um problema médico subjacente, o que os torna mais vulneráveis a uma condição ocular alérgica.
As crises ocorrem quando os olhos entram em contato com esses alérgenos, provocando vermelhidão, inflamação, lacrimejamento, coceira ou edema (inchaço). A conjuntivite alérgica não é uma infecção e não é contagiosa.
- Conjuntivite alérgica perene ou que ocorre o ano todo (conjuntivite atópica, ceratoconjuntivite atópica) : surge o ano todo e, na maioria das vezes, a causa são os ácaros existentes na poeira ou no pelo de animais. As pessoas que apresentam qualquer uma das formas de conjuntivite alérgica sentem prurido intenso e ardor em ambos os olhos. Embora os sintomas geralmente afetem os dois olhos igualmente, raramente um olho pode ser mais afetado do que o outro.
- Ceratoconjuntivite vernal (primaveril): é um tipo mais grave de conjuntivite alérgica em que o alérgeno nem sempre é conhecido. Ela reaparece a cada primavera e desaparece durante o outono e o inverno. Apresenta-se de forma bilateral na conjuntiva. Afeta em especial meninos entre 5 e 20 anos de idade, especialmente nos que sofrem com eczema, asma ou alergia sazonal. Antecedentes familiares da doença são frequentes. Entre os sinais e sintomas ocorrem prurido, lacrimejamento, fotofobia e secreção na mucosa.

- Conjuntivite infecciosa: é a inflamação da conjuntiva (a membrana que reveste a pálpebra e cobre o branco do olho) causada por vírus ou bactérias.Vermelhidão e lacrimejamento ou secreção são sintomas comuns; algumas pessoas apresentam sensibilidade à luz. Uma série de micro-organismos podem infectar e causar a condição. Os mais comuns são virais, principalmente os do grupo dos adenovírus, mas também as bactérias podem causar infecções.
Tanto conjuntivites bacterianas quanto virais são muito contagiosas, passando facilmente de uma pessoa para outra ou de um olho infectado para o olho não infectado.No verão costumam ser frequentes os casos de conjuntivite viral. Já a bacteriana é mais comum de dezembro a abril. Isso não quer dizer que não possam acontecer em outras épocas do ano.
Tratamentos para as conjuntivites
No caso das conjuntivites alérgicas sazonais ou perenes, normalmente o tratamento indicado pelos oftalmologistas é a eliminação dos alérgenos. Para os casos leves, devem ser feitas compressas frias para aliviar o desconforto e a coceira. No entanto, não havendo melhora e sim agravamento, poderá ser receitada pelo médico a aplicação de colírios lubrificantes, vasoconstritores e antialérgicos tópicos.
Nos casos mais graves, das conjuntivites de origem infecciosa, o tratamento será determinado pelo agente causador da doença. Para a conjuntivite viral não existem medicamentos específicos, às vezes recomenda-se o uso de colírios corticosteroides, mas para diminuir os sintomas (inchaço e o desconforto) usam-se compressas frias. Já o tratamento da bacteriana inclui a indicação de colírios ou pomadas com antibióticos, que devem ser prescritos por um médico.
O tratamento da ceratoconjuntivite vernal dependerá da extensão e da gravidade da doença no momento da apresentação. O manejo pode variar de tratamento conservador a intervenções cirúrgicas. O primeiro é a tentativa de remover quaisquer possíveis alérgenos presentes no ambiente ao redor do paciente. Fazer uso de compressas frias e óculos escuros para fotofobia. As opções cirúrgicas podem incluir desbridamento e transplante de membrana amniótica.
É possível prevenir as conjuntivites?
Existem formas de prevenir as alergias oculares na primavera. Algumas dicas indicadas por oftalmologistas são:
- Identificar principalmente a causa da alergia;
- Manter a casa limpa e arejada;
- Lavar com frequência lençois, travesseiros, almofadas, cortinas, tapetes e bichos de pelúcia;
- Fazer limpeza frequente em aparelhos de ar-condicionado e ventiladores;
- Evitar o consumo de alimentos potencialmente alergênicos, como frutos do mar, ovos, amendoins, entre outros, principalmente, para as crianças e idosos;
- Evitar ambientes com muita poeira ou fumaça;
- Utilizar umidificadores de ar, toalhas molhadas ou bacias de água em dias muito secos.
Porém, a melhor maneira de prevenção das alergias oculares é a consulta regular ao oftalmologista. Ele é o especialista adequado para identificar o problema e indicar o melhor tratamento para cada caso.

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