Diabetes Mellitus e saúde ocular na infância e adolescência: uma visão essencial.

Menina, sentada no colo da mãe, aguarda tranquilamente enquanto ela mede a glicose no dedinho dela.

A Sociedade Brasileira de Diabetes alerta que, entre as crianças e adolescentes, o diabetes mellitus tipo 1 é a terceira doença crônica mais frequente. De acordo com o Atlas da Federação Internacional de Diabetes (IDF), no Brasil 92.300 crianças e adolescentes têm diabetes tipo 1. Sendo assim, o país ocupa o terceiro lugar no ranking de incidência de DM1 infantil no mundo, ficando atrás apenas da Índia (229.400) e Estados Unidos (157.900).

O diabetes mellitus tipo 1 é uma doença autoimune que impede o pâncreas de produzir insulina. Pode surgir em qualquer fase da infância, ou na vida adulta, sendo mais comum entre os quatro e seis anos e entre os dez e 14 anos. Seus gatilhos ainda não são totalmente conhecidos, o que dificulta medidas de prevenção. Porém, é possível evitar complicações do diabetes, como doenças renais, cardíacas e oculares com um bom tratamento e com o auxílio da tecnologia.

Logicamente, o controle da glicose é fundamental para o bem-estar geral das crianças e jovens, mas um aspecto que merece atenção especial é a saúde ocular. A exposição prolongada a níveis elevados de açúcar no sangue pode afetar os vasos sanguíneos dos olhos, levando a complicações que, se não tratadas, podem ameaçar gravemente a visão. 

A complicação ocular mais preocupante: a retinopatia diabética. 

A doença ocular diabética abrange todas as complicações do diabetes mellitus que afetam os olhos, das quais a retinopatia diabética (RD) é a mais grave, com risco de cegueira, além da catarata e do glaucoma secundário, que são as condições clínicas mais importantes.  Atualmente, as crianças estão dentro do grupo de baixo risco de desenvolver RD. 

No entanto, a principal ameaça à visão do jovem diabético é a retinopatia diabética. A hiperglicemia, duração do diabetes mellitus, obesidade infantil e juvenil, puberdade, hipertensão arterial, hiperlipidemia e predisposição genética constituem os fatores de risco mais importantes de RD na população pediátrica. 

Menina, sentada frente a uma mesa de madeira sobre a qual há prato com maçãs, cerais, copo de leite, 1 caneca e instrumentos de medir a glicose no sangue. A garotinha realiza ela mesma o próprio exame.

A puberdade é referida em estudos como um dos principais fatores de risco de desenvolvimento e progressão da retinopatia, enquanto o risco de desenvolvimento da condição em pacientes com menos de 10 anos é mínimo, não ocorrendo retinopatia proliferativa diabética nessa idade.

A retinopatia diabética ocorre quando a glicemia alta danifica progressivamente os pequenos vasos sanguíneos que nutrem a retina – a parte do olho responsável por captar as imagens e enviá-las ao cérebro. Estes podem ficar frágeis, vazar fluido ou sangue (edema macular) e, em estágios mais avançados, podem proliferar outros vasos anômalos e frágeis, levando a hemorragias e descolamento de retina.

Um dado crítico é que o risco de desenvolver retinopatia diabética aumenta significativamente após a puberdade e está diretamente ligado ao tempo de duração do diabetes e à qualidade do controle glicêmico. Quanto mais tempo com a doença e quanto pior o controle, maior será o risco.

Outros riscos oculares associados ao diabetes mellitus 

Além da retinopatia, crianças e adolescentes com diabetes mellitus têm uma predisposição maior a outras condições oculares:

  • Edema Macular Diabético: é o inchaço da área central da retina (mácula), responsável pela visão de detalhes. É a principal causa de perda de visão na retinopatia diabética.
  • Catarata: jovens com diagnóstico de diabetes mellitus podem desenvolver catarata (opacificação do cristalino) mais cedo do que a população geral.
  • Glaucoma: há um risco aumentado de desenvolver glaucoma, uma condição que danifica o nervo óptico devido, muitas vezes, ao aumento da pressão intraocular.
Gráfico representativo de um globo ocular normal e um outro com glaucoma. Esta é uma das condições que podem se desenvolver por quem tem diabetes mellitus.

A arma mais poderosa: rastreamento e diagnóstico precoce.

A mensagem mais importante para famílias e jovens é que a cegueira por retinopatia diabética é quase sempre evitável com detecção precoce e tratamento oportuno. O grande perigo é que, nos estágios iniciais, a condição é assintomática. A criança ou o adolescente não sente dor nem percebe alterações na visão até que o problema já esteja em um estágio avançado e mais difícil de tratar.

Por isso, os exames de rastreamento são obrigatórios e não podem ser negligenciados. A Sociedade Brasileira de Diabetes e a Academia Americana de Oftalmologia recomendam:

  • Primeiro exame: aos 10 anos de idade ou após 3-5 anos do diagnóstico do diabetes mellitus (o que ocorrer primeiro).
  • Exames de acompanhamento: devem ser feitos anualmente, se não houver alterações. Se forem encontrados sinais de retinopatia, o oftalmologista definirá um intervalo mais curto entre as consultas.

O exame principal é o fundo de olho com pupila dilatada, que permite ao médico visualizar diretamente a retina e seus vasos. Em muitos casos, é complementado por exames de imagem como a tomografia de coerência óptica (OCT) e a angiografia fluoresceínica.

Prevenção e tratamento: um trabalho em equipe. 

A prevenção das complicações oculares do diabetes mellitus é um trabalho de equipe que envolve:

  • Controle Glicêmico Rigoroso: manter os níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) o mais próximo do normal possível é a principal forma de prevenir o surgimento e a progressão da retinopatia.
  • Controle da Pressão Arterial e do Colesterol: estes fatores também contribuem para a saúde dos vasos sanguíneos dos olhos.
  • Exames Oftalmológicos Regulares: seguir rigorosamente o calendário de consultas, mesmo na ausência de sintomas.
  • Tratamentos Avançados: caso a retinopatia progrida, existem tratamentos eficazes, como aplicação de laser fotocoagulativo, injeções intravítreas de antiangiogênicos (para reduzir o edema macular) e cirurgias vitreorretinianas para casos mais complexos.
Meninino realizando exames oftalmológicos em um aparelho.

Visão para o futuro 

Cuidar dos olhos de uma criança ou adolescente com diabetes mellitus é investir no seu futuro. A educação sobre a doença, a adoção de um estilo de vida saudável e a adesão irrestrita ao acompanhamento médico multidisciplinar são os pilares para garantir que eles possam enxergar o mundo com clareza por muitos e muitos anos. A vigilância constante é a chave para preservar um dos sentidos mais preciosos: a visão! 

Conheça os meus serviços    

Olá para você que é novo por aqui! Eu sou a Dra. Paula Gabriela e me formei na ULBRA. Minha especialidade é a saúde ocular pediátrica e adulta. Aqui na minha página, passamos informações úteis e de qualidade, como cuidados, dicas e explicações mais aprofundadas sobre patologias. Meu objetivo é deixar você mais informado(a) e atento(a) para os cuidados com a sua visão e a do seu filho (a). 

Se estiver precisando marcar uma consulta oftalmológica, não deixe de entrar em contato comigo por aqui. Vamos conversar para tirar todas as suas dúvidas e fazer uma avaliação completa da sua visão, ou a do seu filho.

Clinica Olhar Kids

Rua Furriel Luíz Antônio de Vargas, 250 – conj 1201 – Bela Vista 

Porto Alegre – RS, 90470-130

Categorias

Compartilhe nossa notícia nas suas redes sociais

WhatsApp
Facebook
Email
LinkedIn
Twitter