Glaucoma em jovens: uma realidade incomum, mas urgente!

Jovem ruiva faz sinal de OK frente ao olho esquerdo.

O glaucoma é frequentemente percebido como uma doença exclusiva da população idosa. No entanto, embora seja menos comum, ele também pode afetar jovens e até mesmo crianças, representando um desafio diagnóstico e terapêutico único. 

Por isso, compreender suas particularidades é essencial para prevenir danos visuais irreversíveis em uma faixa etária produtiva e com expectativa de vida longa. Sendo assim, este texto propõe esclarecer como se dá o glaucoma em jovens, porque o diagnóstico ainda é um desafio e quais as formas de tratamento possíveis.

Definição e classificação do glaucoma em jovens

Glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva, caracterizada pela perda de células ganglionares da retina e dano ao nervo óptico. Na maioria dos casos, está associado à pressão intraocular (PIO) elevada, mas outros fatores, como fragilidade vascular e susceptibilidade individual do nervo, são determinantes. Em jovens, geralmente define-se como glaucoma de início antes dos 40 anos.

As principais formas que afetam os mais jovens são:

  1. Glaucoma Juvenil de Ângulo Aberto: semelhante ao glaucoma primário de ângulo aberto do idoso, mas com início entre os 3 e os 40 anos. Muitas vezes há uma forte história familiar, com padrão de herança autossômica dominante. A progressão pode ser mais agressiva.  
  1. Glaucoma Congênito e Infantil: presente ao nascimento (congênito) ou nos primeiros anos de vida (infantil). Causado por uma malformação na estrutura de drenagem do humor aquoso . Sintomas incluem lacrimejamento excessivo, fotofobia, blefarospasmo e aumento do tamanho dos olhos (buftalmia). O diagnóstico e tratamento cirúrgico precoce são urgentes.  
Close de bebê de uns 3 meses no colo de sua mamãe. 
Conceito de glaucoma congênito.
  1. Glaucoma Secundário em Jovens: resulta de outras condições oculares ou sistêmicas. São causas importantes:
  • Trauma ocular: contusões ou ferimentos perfurantes podem lesionar o sistema de drenagem; 
  • Uveítes: inflamações intraoculares podem bloquear o ângulo camerular ou a malha trabecular; 
  • Uso de corticoides: pacientes jovens (especialmente com doenças autoimunes ou alérgicas) que usam corticoide tópico ou sistêmico de forma prolongada podem desenvolver glaucoma esteroide;
  • Síndromes e doenças sistêmicas: Síndrome de Stickler, Síndrome de Marfan, Aniridia, Neurofibromatose, entre outras.
  • Cirurgias Oculares Prévias: como para catarata congênita ou correção de descolamento de retina.

Desafios no diagnóstico da condição ocular

Diagnosticar glaucoma em jovens é um grande desafio:

  • Assintomático: como no idoso, nas fases iniciais não há sintomas. A perda de campo visual periférico é silenciosa e lenta;
  • Baixa suspeição: médicos e pacientes não pensam em glaucoma em uma pessoa jovem e saudável, atrasando a investigação;
  • Exames menos sensíveis: a espessura corneana central (pac) tende a ser maior em alguns jovens, o que pode mascarar uma leitura tonométrica (da PIO) elevada. A avaliação do nervo óptico e do campo visual exige experiência, pois os achados podem ser mais sutis inicialmente.

Abordagem e tratamento

O objetivo principal, como em qualquer glaucoma, é preservar a função visual ao longo da vida do paciente, reduzindo e estabilizando a PIO em uma meta segura. O tratamento é quase sempre vitalício.

  1. Tratamento clínico (colírios): é a primeira linha. Podem ser usados análogos de prostaglandina, betabloqueadores, agonistas alfa-adrenérgicos e inibidores da anidrase carbônica. A adesão ao tratamento é um problema crítico em adolescentes e adultos jovens, que podem negligenciar o uso constante dos colírios.  
  1. Tratamento a Laser:
  • Trabeculoplastia a Laser (SLT): pode ser uma opção eficaz no glaucoma juvenil de ângulo aberto.
  • Iridotomia a Laser (YAG PI): indicada para formas de ângulo estreito ou fechado.
  1. Tratamento cirúrgico: é frequentemente necessário, especialmente nos casos congênitos, infantis e quando o tratamento clínico não é suficiente.
  • Trabeculotomia/Trabeculectomia: cirurgias tradicionais de drenagem;
  • Implantes de Drenagem (Válvulas): indicados em glaucomas secundários complexos ou após falha de outras cirurgias;
  • Procedimentos Minimamente Invasivos (MIGS): têm um papel crescente, oferecendo maior segurança, mas com efeito hipotensor geralmente moderado.
Garotinha de uns 5 anos realizando exame oftalmológico como forma de acompanhamento do glaucoma na infância.

Implicações psicossociais e importância do acompanhamento

Viver com glaucoma na juventude tem um impacto significativo. Pode gerar ansiedade sobre o futuro, dificuldades na aceitação de um tratamento contínuo e preocupações sobre atividades de risco, hereditariedade e planejamento familiar. O acompanhamento deve ser rigoroso e multidisciplinar, envolvendo oftalmologista especialista em glaucoma, apoio familiar e, por vezes, suporte psicológico.

O glaucoma em jovens, apesar de raro, é uma condição séria que demanda alta suspeição clínica, especialmente na presença de fatores de risco como história familiar positiva, trauma ocular ou uso de corticoide. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado e contínuo são os pilares para evitar a cegueira irreversível, permitindo que esses pacientes tenham uma vida longa e produtiva com qualidade visual. A conscientização de profissionais da saúde e da sociedade em geral é o primeiro passo para mudar a percepção de que glaucoma é “doença de velho”.

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Olá para você que é novo por aqui! Eu sou a Dra. Paula Gabriela e me formei na ULBRA. Minha especialidade é a saúde ocular pediátrica e adulta. Aqui na minha página, passamos informações úteis e de qualidade, como cuidados, dicas e explicações mais aprofundadas sobre patologias. Meu objetivo é deixar você mais informado(a) e atento(a) para os cuidados com a sua visão e a do seu filho (a). 

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