Traumas oculares e lesões na córnea em crianças e adultos

Linda adolescente com cabelos loiros e longos, vestindo camiseta branca, demostra sinal de desconforto ocular após trauma no olho esquerdo.

Os traumas oculares representam uma causa significativa de perda visual em todo o mundo, afetando tanto crianças quanto adultos. Isso porque a córnea, por ser a estrutura mais anterior e exposta do olho, é particularmente vulnerável a lesões.  Entretanto, é importante entender que trauma ocular e lesão corneana não são a mesma coisa. Eles estão diretamente relacionados: um é a causa e o outro pode ser uma das consequências. 

Trauma ocular é o termo geral que define qualquer agressão física, química, térmica ou elétrica que afeta os olhos ou a região ao redor (como pálpebras e órbita). Ele engloba desde acidentes leves até acidentes gravíssimos. Já a lesão corneana, por sua vez, é um dano específico na córnea (a parte transparente e externa do olho). Ao sofrer um dano ocular, essa estrutura costuma ser a primeira atingida.

Sendo assim, a compreensão das causas que deram origem a diferentes quadros clínicos, do manejo adequado e das estratégias de prevenção torna-se essencial para minimizar sequelas permanentes à visão.

Principais tipos de lesões corneanas

  • Abrasões corneanas: são arranhões ou perda do epitélio corneano. Comuns em ambos os grupos etários, ocorrem por trauma direto (unhada, galho de árvore, papel) ou corpos estranhos. Crianças frequentemente sofrem abrasões por brinquedos ou areia, enquanto adultos podem apresentar por lentes de contato ou acidentes domésticos/industriais.
  • Corpos estranhos corneanos: partículas de metal, vidro, areia ou poeira que se alojam na córnea. Em adultos, relacionam-se ao trabalho sem proteção (lixamento, solda); em crianças, ocorrem mais em brincadeiras ao ar livre.
  • Queimaduras químicas: ácidos (bateria, produtos de limpeza) e álcalis (cal, soda cáustica, cimento). As álcalis penetram mais rapidamente, causando danos graves. Crianças são vítimas de acidentes domésticos com produtos de limpeza mal armazenados; adultos, em acidentes laborais ou agressões.
  • Ceratite por radiação ultravioleta: causada por exposição intensa à luz UV (solda, lâmpadas de bronzeamento, reflexo da neve). Mais comum em adultos por exposição ocupacional.
  • Lacerações e perfurações corneanas: traumas oculares penetrantes ocorridos por objetos cortantes (facas, estiletes, cacos de vidro) ou projéteis (fragmentos de ferramentas quebradas, chumbo de airsoft). São emergências oftalmológicas graves, pois permitem saída de humor aquoso e podem evoluir para endoftalmite.
Menino de uns 10 anos realizando exame oftalmológico após enfrentar trauma ocular.

Diferenças dos quadros entre crianças e adultos 

Em crianças, os traumas oculares são predominantemente acidentais, ocorrem em ambiente doméstico, escolar ou recreativo. Brinquedos pontiagudos, lápis, tesouras sem ponta redonda, bolinhas de gude e até mesmo unhas de recém-nascidos podem causar lesões. Crianças menores não relatam sintomas adequadamente, dificultando o diagnóstico precoce. Além disso, o risco de ambliopia (olho preguiçoso) pós-trauma é elevado se a visão for comprometida durante o desenvolvimento visual.

Em adultos, predomina o trauma ocupacional (construção civil, indústria metalúrgica, marcenaria, agricultura) e o relacionado a atividades esportivas (tênis, squash, futebol). Estes também são mais expostos a acidentes automobilísticos e violência interpessoal.

Quadro clínico e diagnóstico de traumas oculares e lesões corneanas

Os sintomas de traumas oculares e lesões corneanas incluem dor ocular intensa (frequentemente desproporcional ao achado), fotofobia, lacrimejamento excessivo, sensação de corpo estranho, vermelhidão e, em lesões profundas, baixa da acuidade visual. 

O diagnóstico é clínico, com auxílio do exame com lâmpada de fenda e uso de fluoresceína para evidenciar defeitos epiteliais (área corada em verde). A avaliação da profundidade da lesão é fundamental: lesões superficiais (limitadas ao epitélio) têm bom prognóstico; as estromais podem deixar opacidade cicatricial, e as perfurantes demandam sutura cirúrgica.

Tratamentos 

  • Abrasões e corpos estranhos superficiais: remoção delicada do corpo estranho com seringa de água ou sob lâmpada de fenda. Antibiótico tópico (ex.: moxifloxacino) para profilaxia de infecção, cicloplégicos (ciclopentolato) para alívio da dor por espasmo ciliar e lubrificantes. O uso de curativo compressivo ou lente de contato terapêutica em casos extensos.
  • Queimaduras químicas: prioridade máxima para irrigação abundante com soro fisiológico ou água corrente por pelo menos 15-30 minutos, antes de qualquer exame. Avaliação do pH conjuntival (ideal neutro).
  • Lacerações perfurantes: proteção com escudo rígido (não comprimir o globo), antibiótico sistêmico, miorrelaxantes e encaminhamento urgente para reparo cirúrgico sob microscópio.
  • Ceratite actínica: analgésicos orais, lubrificantes e lentes de contato terapêuticas. A cicatrização espontânea ocorre em 24-48 horas.

Complicações e prognóstico 

Sem tratamento adequado, os traumas oculares e as lesões corneanas podem evoluir para ceratite bacteriana ou fúngica (principalmente após trauma vegetal ou com lentes de contato), úlcera de córnea, neovascularização (vasos anômalos que prejudicam a transparência), opacidade cicatricial persistente e astigmatismo irregular. As perfurações podem levar à perda do olho.

O prognóstico é excelente para os traumas oculares como abrasões simples e corpos estranhos superficiais, com recuperação completa em 24 a 72 horas. Lesões profundas ou com infecção podem deixar sequelas definitivas.

Prevenção de traumas e lesões oculares

 Menina pequena, com os cabelos presos no alto da cabeça, apoia o rosto com as mãos sobre uma bancada de ciências onde estão vários produtos químicos. Para proteger seus olhos de traumas oculares, ela usa um óculos de proteção verde.

O uso de óculos de segurança (com proteção lateral) em atividades de risco reduz em mais de 90% os traumas oculares. 

Medidas específicas incluem: guardar produtos químicos fora do alcance de crianças, supervisão em brincadeiras com objetos pontiagudos, uso de protetor facial durante solda e lixamento, e evitar esfregar os olhos após mexer com terra ou plantas. 

Além disso, campanhas educativas em escolas e locais de trabalho são ferramentas eficazes de saúde pública.

Em suma, o trauma corneano é uma condição prevalente, mas largamente prevenível. O reconhecimento rápido e a conduta inicial adequada – especialmente a irrigação imediata em queimaduras químicas – são determinantes para preservar a visão e evitar incapacidade permanente.  

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Olá para você que é novo por aqui! Eu sou a Dra. Paula Gabriela e me formei na ULBRA. Minha especialidade é a saúde ocular pediátrica e adulta. Aqui na minha página, passamos informações úteis e de qualidade, como cuidados, dicas e explicações mais aprofundadas sobre patologias. Meu objetivo é deixar você mais informado(a) e atento(a) para os cuidados com a sua visão e a do seu filho (a). 

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