Pterígio – Causas, sintomas, tratamentos e prevenção da condição.

Close do olho com pterígio de um homem idoso.

O que é Pterígio? Esta condição ocular é conhecida como aquela “carninha” que cresce na parte branca do olho, geralmente começando no canto perto do nariz e indo em direção à pupila. É bem comum em quem pega muito sol, vento ou poeira sem proteção, como surfistas, agricultores ou quem trabalha na rua.  

No começo, pode não dar sintomas, mas com o tempo pode coçar, dar sensação de areia no olho, deixar o olho vermelho e até embaçar a visão se crescer demais. A boa notícia é que dá pra prevenir. 

Cientificamente,o pterígio (do grego pterygion, “asa pequena”) é definido como uma lesão ocular benigna, mas potencialmente progressiva, caracterizada pelo crescimento anormal de tecido conjuntivo fibrovascular sobre a córnea. Este , geralmente com formato triangular, origina-se na conjuntiva bulbar (a membrana que cobre a parte branca do olho) e avança em direção à região central da córnea, podendo comprometer a visão. 

É uma condição muito prevalente em regiões de clima quente, ensolarado e seco, sendo mais comum em adultos de meia-idade e idosos, embora possa surgir em adultos jovens, especialmente aqueles com alta exposição ambiental.

Etiologia e fatores de risco 

O principal fator de risco para o desenvolvimento do pterígio é a exposição crônica à radiação ultravioleta (UV) do sol. Por isso, é frequentemente chamado de “doença do olho do fazendeiro” ou “olho do surfista”. 

A radiação UV causa danos ao DNA das células límbicas (a região entre a córnea e a conjuntiva), desencadeando uma proliferação anormal de tecido. Outros fatores contribuintes incluem: poeira, vento, areia, baixa umidade do ar, irritantes químicos e predisposição genética. 

Ocorre bilateralmente em cerca de metade dos casos, mas geralmente um olho é mais afetado que o outro.

Surfista barbudo deitado em uma prancha de surf sobre o mar.

Quadro clínico e sintomas 

Inicialmente, o pterígio manifesta-se como um espessamento avermelhado ou amarelado na conjuntiva, próximo ao canto nasal do olho (mais raramente no lado temporal). Com o tempo, uma porção com aspecto de “asa” ou “membrana” avança sobre a córnea. Os sintomas variam conforme o tamanho e a atividade inflamatória da lesão:

  • Assintomático: lesões pequenas e estáveis podem ser notadas apenas por alteração estética.
  • Olho vermelho e irritado: a inflamação crônica causa hiperemia conjuntival.
  • Sensação de corpo estranho: o relevo do tecido na superfície ocular gera desconforto semelhante a areia ou cílio.
  • Olho seco e ardor: o pterígio interfere na distribuição do filme lacrimal.
  • Astigmatismo: quando traciona a córnea, deforma sua curvatura, causando visão borrada.
  • Baixa de visão direta: se o pterígio avança sobre o eixo visual (pupila), bloqueia a passagem da luz.

Diagnóstico e tratamento da condição 

O diagnóstico é clínico e realizado por um oftalmologista por meio do exame com lâmpada de fenda. A lesão típica é facilmente reconhecida. Exames complementares incluem a topografia corneana para avaliar o astigmatismo induzido e a paquimetria para medir a espessura corneana, especialmente no pré-operatório.

Em relação ao tratamento, a abordagem depende do grau de incômodo e da progressão da lesão.

1) Tratamento clínico (para casos leves/moderados)

  • Lubrificantes e lágrimas artificiais: aliviam o ressecamento e a sensação de corpo estranho.
  • Colírios antiinflamatórios: corticoides de baixa potência ou AINEs para controlar crises de vermelhidão e irritação. O uso prolongado de corticoides exige supervisão rigorosa devido ao risco de glaucoma e catarata.
  • Proteção UV: óculos escuros com filtro UV, chapéus de aba larga. 

2) Tratamento cirúrgico (indicações)

  • Quando o pterígio atinge ou ameaça o eixo visual.
  • Quando causa astigmatismo irregular significativo.
  • Quando apresenta crescimento progressivo documentado.
  • Quando os sintomas inflamatórios são refratários ao tratamento clínico.

A cirurgia consiste na excisão do tecido anormal e no transplante autólogo de conjuntiva (geralmente da região superior do mesmo olho) para recobrir a área cruenta. Essa técnica reduz drasticamente a taxa de recorrência (de 50% para menos de 10%). A aplicação tópica de mitomicina C ou 5-fluorouracil durante o ato cirúrgico também ajuda a prevenir recidivas, especialmente em casos agressivos.

Complicações e recorrência 

O maior problema do pterígio é a recorrência – o tecido volta a crescer, geralmente mais agressivo e aderente do que o original. Outras complicações pós-cirúrgicas incluem: granulomas, adelgaçamento da córnea, fibrose e raramente perfuração. O uso de proteção UV rigorosa no pós-operatório é fundamental para evitar recidiva.

Prevenção do pterígio 

Uma das formas de prevenção do pterígio é o uso constante de chapéu e óculos de sol. Na imagem, um chapéu de palha natural, um par de óculos e uma toalha estão sobre um gramado.

A prevenção é a melhor estratégia. Recomenda-se uso diário de óculos de sol com proteção UV-A e UV-B (mesmo em dias nublados), chapéus com abas laterais, evitar exposição prolongada ao sol nos horários de pico e usar colírios lubrificantes em ambientes secos ou empoeirados. Crianças e adultos que vivem em regiões tropicais devem ser orientados desde cedo.

Em suma, o pterígio é uma condição comum, relacionada à exposição solar crônica. Embora benigno na maioria dos casos, pode prejudicar a visão. O diagnóstico precoce, o controle dos fatores ambientais e o tratamento cirúrgico adequado com técnicas modernas garantem bom prognóstico visual e baixas taxas de recorrência.

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Olá para você que é novo por aqui! Eu sou a Dra. Paula Gabriela e me formei na ULBRA. Minha especialidade é a saúde ocular pediátrica e adulta. Aqui na minha página, passamos informações úteis e de qualidade, como cuidados, dicas e explicações mais aprofundadas sobre patologias. Meu objetivo é deixar você mais informado(a) e atento(a) para os cuidados com a sua visão e a do seu filho (a). 

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