Definitivamente, a catarata não é uma doença apenas de idosos. Embora a forma relacionada ao envelhecimento (catarata senil) seja de longe a mais prevalente, a opacificação do cristalino pode ocorrer em qualquer fase da vida, inclusive ao nascimento.
Entender as diversas causas da catarata ao longo da vida é essencial para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Este artigo pretende esclarecer essas questões a fim de desmistificar a crença comum de que esta é uma doença que atinge apenas idosos.
A Catarata Senil: a forma mais comum da doença ocular.
É inegável que a maior incidência da condição está ligada ao envelhecimento. A Catarata Senil é um processo degenerativo, lento e progressivo. Com o avançar da idade, as proteínas do cristalino (a lente natural do olho) começam a se aglomerar, causando opacidade e perda da transparência.

Esta é uma consequência quase universal do envelhecimento, como cabelos brancos e rugas. Por volta dos 80 anos, mais da metade das pessoas tem ou já fez cirurgia de catarata. Essa forte associação com a idade criou o mito de que ela é uma exclusividade dos idosos.
Catarata em adultos jovens e de meia-idade (Catarata Pré-Senil)
Pessoas entre 40 e 60 anos podem desenvolver catarata devido a fatores não relacionados apenas ao envelhecimento:
- Doenças sistêmicas: o Diabetes Mellitus descompensado é uma causa importante. Níveis altos de glicose no humor aquoso podem levar ao acúmulo de sorbitol no cristalino, causando edema e opacidade (catarata metabólica). Doenças como distrofia miotônica e dermatológicas severas também estão associadas.
- Uso prolongado de medicamentos: o uso crônico de corticosteroides (seja oral, tópico na pele ou, especialmente, em colírios) é uma causa bem estabelecida de catarata em pacientes de todas as idades.
- Trauma ocular: contusões, ferimentos perfurantes ou exposição a calor ou corrente elétrica intensa podem danificar o cristalino e desencadear uma catarata traumática, que pode se formar imediatamente ou anos depois.
- Exposição à Radiação: exposição excessiva à radiação ultravioleta (sem proteção solar) e radioterapia na região da cabeça são fatores de risco.
- Miopia degenerativa alta: está associada a um risco maior de catarata precoce, especialmente do tipo nuclear.
Catarata em crianças e recém-nascidos (Catarata Pediátrica)
Esta é a forma que mais claramente desmente a ideia de que catarata é “coisa de velho”. A catarata congênita (presente ao nascimento) ou infantil (que se desenvolve nos primeiros anos de vida) é uma urgência médica, pois pode levar à ambliopia (“olho preguiçoso”) irreversível se não for tratada precocemente. Suas causas podem ser:
- Infecciosas: infecções intrauterinas como rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus e sífilis.
- Genéticas/ hereditárias: muitos casos são hereditários (autossômicos dominantes são comuns) ou associados a síndromes como a de Down (Trissomia 21), de Marfan e de Lowe.
- Metabólicas: galactosemia é um exemplo clássico, no qual a criança não metaboliza a galactose, levando à formação de catarata rapidamente progressiva.
- Idiopática: em uma grande porcentagem, a causa não é identificada.

A importância da diferença na abordagem
Essa distinção etiológica é fundamental para o manejo:
- No idoso: a decisão de operar geralmente é baseada no impacto na qualidade de vida (dificuldade para dirigir, ler, ver TV). A cirurgia é eletiva e segura.
- na criança: a cirurgia é urgente e obrigatória para permitir o desenvolvimento da visão. Deve ser feita nas primeiras semanas de vida, caso necessário, seguida de correção óptica (lente de contato ou óculos) e terapia de oclusão para tratar a ambliopia. O desafio é muito maior e o acompanhamento, longo e especializado.
- No adulto jovem: investiga-se a causa de fundo (diabetes? uso de corticoide?) e, mesmo que a catarata não esteja madura, a cirurgia pode ser indicada mais cedo se estiver prejudicando a função visual para trabalho ou vida diária.
A catarata é, acima de tudo, uma condição de opacificação do cristalino que tem no envelhecimento seu principal fator de risco, mas não o único. Ela pode ser um sinal de doenças sistêmicas, uma consequência de medicamentos, um resultado de trauma ou uma condição presente desde o nascimento.
Romper com o estigma de que é “doença de idoso” é fundamental para que pais fiquem atentos aos olhos de seus bebês, que jovens com diabetes controlem melhor sua saúde e que todos usem óculos escuros com proteção UV.
A visão é preciosa em todas as idades, e a catarata, quando diagnosticada e tratada no momento certo, tem cura cirúrgica com altíssimas taxas de sucesso, seja em um avô de 80 anos ou em um bebê de 2 meses.
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